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que fazer em caso de estupro? Texto:
Vanessa Maeji/NJ | Fotos: Divulgação Medo,
vergonha, culpa. Estes são alguns dos sentimentos que levam uma mulher
a deixar de denunciar o seu agressor em casos de estupro. O estado de São
Paulo registrou, em média, nove casos de estupro por dia somente no segundo
trimestre de 2008 foram 811 casos registrados pela Secretaria de Estado
da Segurança Pública paulista. Mas esse número é ainda
maior a estimativa é que a maioria deixe de ser denunciada. Muitas
vezes, a denúncia deixa de ser feita justamente porque a vítima
conhece o agressor na maior parte desses casos, o estuprador é um
parente ou amigo da família.
O
caso da jovem Vanessa Kimura, 20, acabou em tragédia. Em maio deste ano,
a universitária foi encontrada morta em um galpão em Guarulhos (SP),
após ter sido estuprada. Depois de iniciar uma busca por Vanessa, a mãe
da jovem encontrou o corpo da estudante caído próximo à sua
casa, em um barracão abandonado. Segundo a mãe da nikkei, já
ocorreram outros casos de estupro no mesmo local, mesmo sendo caminho das pessoas
para o trabalho.
| Estupro |
| O
que é? Artigo 213 do Código
Penal - O estupro é constranger a mulher à conjunção
carnal, mediante violência ou grave ameaça. Qual
a pena para o agressor? Pena de 6 a 10 anos de reclusão. O artigo
foi incluso na Lei dos Crimes Hediondos nº 8072/1990. Quais
são os outros casos de estupro? É considerado estupro se
a vítima for menor de 14 anos (mesmo que consinta com a relação),
se tiver debilidade mental, ou se, por algum motivo, não pode oferecer
resistência. Quais
são as conseqüências do estupro? Quem sobrevive ao ataque
ainda enfrenta complicações na saúde sexual e reprodutiva,
risco de doenças sexualmente transmissíveis, transtornos psicológicos
posteriores e, em casos extremos, comportamentos suicidas. O grande fantasma dessas
mulheres violentadas é a culpa. Algumas delas acreditam que tenham sido
culpadas por ter ocorrido o estupro pelas roupas, pela maneira de se portar,
por ter saído sozinha de casa. A legislação atual brasileira
permite aborto em casos de estupro. |
| Veja
a opinião da Dra. Ilma Miyashiro, médica-legista do Hospital Pérola
Byington, um dos principais centros de referência em saúde da mulher
no estado. | | 
"A
vítima de estupro pode ter qualquer idade. Se a garota menor de 14 anos
permitir a relação sexual, é considerado estupro, porque
as autoridades entendem que é uma pessoa que ainda não consegue
discernir o certo e o errado. Se
a vítima de qualquer idade é visivelmente uma pessoa de rebaixamento
mental, mesmo permitindo e aceitando o relacionamento sexual, o homem é
considerado estuprador. Se a vítima não aparentava a debilidade
mental, mas o homem conhecia essa condição, também é
considerado estuprador. A vítima não pode oferecer resistência
quando, por exemplo, uma mulher de qualquer idade esteja em coma. Outro exemplo
é quando a mulher estiver imobilizada por gesso e não pode se defender.
Tudo depende da interpretação do juiz. Antes
da Delegacia de Defesa da Mulher, esse crime não era denunciado por falta
de informações e por vergonha. O número de estupros era bem
maior do que os oficiais. Atualmente, esse número vem diminuindo graças
a atuação da Polícia Técnico Científico (IML
de Sexologia Forense). Se
a vítima não quiser fizer a denúncia, ela pode procurar,
em São Paulo, o Hospital Pérola Byington
(3101-1333 ou 3248-8038) ou Hospital das Clínicas
para o tratamento médico profilático contra doenças sexualmente
transmissíveis. No entanto, alguns médicos exigem que seja feita
a denúncia na Delegacia. Aconselho a todas as mulheres que façam
a denúncia na Delegacia pois, se engravidar, terá tempo para arrumar
toda a papelada para o aborto legal, que só pode ser realizado até
20 semanas de gestação. Caso
o agressor ameace em lugares com outras pessoas, por exemplo num ônibus,
metrô ou mesmo na rua, a vítima deve fazer de conta que está
passando mal. Com isso, atrai a atençao de outras pessoas que querem ajudar
e o meliante se afasta". As
principais vítimas de estupro, segundo a Dra. Ilma:
- Têm entre
18 e 30 anos de idade; -
Andam sozinhas, principalmente à noite, em lugares desertos, tornando-se
presas fáceis de dominar; -
Muitas vezes são ameaçadas com armas ou supostas armas sob a roupa.
Geralmente não reagem porque têm medo de morrer. O
que fazer em caso de estupro: -
A vítima deve, em primeiro lugar, procurar uma Delegacia de preferência
a Delegacia de Defesa da Mulher e fazer queixa no máximo dentro
de 72h após o crime; -
Não se deve lavar dentro da vagina (ducha) e deve-se levar as roupas que
tenham alguma secreção do crime. Caso a mulher não se queixar,
o ocorrido não se configurará como crime; -
Da delegacia, será acionada condução para levar a vítima
para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, que está
localizado no Hospital Pérola Byington, onde só existem médicas
e enfermeiras; -
Após o exame, a vítima é encaminhada para a ginecologia no
mesmo Hospital, onde serão oferecidos medicamentos profiláticos
totalmente gratuitos principalmente contra o vírus HIV , além
de acompanhamento médico, psicológico e jurídico. |
| Estupro
no mundo: ::
Uma em cada três mulheres será vítima de violência
(em geral) nas Américas, segundo a Organização Pan-Americana
de Saúde;
:: Entre 10% a 50% das mulheres relataram que foram fisicamente abusadas
por um parceiro íntimo em sua vida;
:: Entre 14% a 20% das mulheres dos EUA serão vítimas de
estupro pelo menos uma vez em sua vida. Cerca de 700 mil mulheres norte-americanas
são estupradas ou sexualmente abordadas a cada ano;
:: 33% das mulheres entre 16 e 49 anos das Américas dizem ter sido
vítimas de violência sexual, enquanto 45% reclamam que seus parceiros
tenham feito ameaças. No
Brasil
:: No Brasil urbano, 40% dos abusos foram cometidos por não-parceiros,
37% por parceiros e 23% por parceiros e não-parceiros;
:: Em São Paulo, os homicídios correspondem a 13% das mortes
de mulheres em idade produtiva. Destes homicídios, 60% são cometidos
pelos maridos ou parceiros;
:: 10% das mulheres de São Paulo relataram que foram vítimas
de sexo forçado (tentativas e/ou atos consumados), segundo estudo da Organização
Mundial da Saúde (OMS).
:: A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou uma
pesquisa, entre 2000 e 2003, em diversos países e apontou dados sobre a
violência sexual. Foram entrevistadas 1172 mulheres na cidade de São
Paulo e 1473 na zona da mata de Pernambuco.
:: Uma em cada quatro mulheres de São Paulo relatou violência
sexual ou física desde os 15 anos de idade cometida por outras pessoas
sem ser o próprio parceiro;
:: 22% das mulheres abusadas em SP e 24% em Pernambuco nunca contaram a
ninguém sobre a violência física cometida pelo parceiro;
:: 55% e 78% das mulheres que sofreram abuso em São Paulo e Pernambuco,
respectivamente, nunca procuraram ajuda;
:: Das mulheres com parceiros estáveis, 10% em São Paulo
e 14% em Pernambuco declararam que foram vítimas de violência sexual;
:: Em casos de violência sexual a partir dos 15 anos, os namorados
foram mencionados por mais de 32%, em SP e PE;
:: 29% e 18% das mulheres em SP e PE, respectivamente, foram vítimas
de violência sexual por estranhos;
:: Em São Paulo, 12% declararam terem sofrido abuso sexual antes
dos 15 anos. Na maioria desses casos, quem pratica o abuso é algum membro
da família do sexo masculino;
:: Quanto mais jovem a mulher começou sua vida sexual, maior a chance
de que sua primeira experiência sexual tenha sido forçada. Para aquelas
que tiveram sua primeira experiência sexual antes dos 15 anos, as relações
foram forçadas em 14% delas, em São Paulo, e 11% em Pernambuco. |
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