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Cosplay, uma arte a parte
 
Texto: Alex Ogushi/NJ | Fotos: Divulgação

A cultura pop sempre mostrou forte influência na vida de algumas pessoas em suas diversas formas existentes. O apreço demonstrado pelos fãs que consomem esse produto da mídia, está explicitamente representado no cosplay. A palavra tem um significado bem simples; em inglês, costume (traje, fantasia) e play, roleplay (brincadeira, interpretação). Porém a simplicidade para por aí, e o cosplay ganha um "novo" sentido completamente diferente daquela simples tradução.

Cheio de sofisticação, criatividade e desenvoltura, a arte de se fantasiar baseando-se nos mais diversos personagens de quadrinhos, games e desenhos animados japoneses mostram o real significado da palavra cosplay. Para os adeptos dessa prática, não basta apenas se fantasiar e ficarem parecidos com seus personagens favoritos, é preciso ainda interpretá-los, uma forma diferente e divertida de interagir com outras pessoas, trazendo para a realidade um "Mundo" de fantasia e ficção.

Pode parecer estranho e esquisito aos olhares daqueles que nunca se quer tiveram a curiosidade de saber um pouco sobre o cosplay, e partindo desse ponto se colocar em uma posição preconceituosa e de deboche em relação aos cosplayers. Fernando Siqueira é diretor geral do Cosplay Brasil. Além de cosplayer há oito anos, também já trabalhou como organizador e juiz por vários anos. "Existe sim um preconceito em relação aos cosplayers por se tratar de um hobby pouco conhecido e incomum. Mas isso tem diminuido com a popularização e a crescente procura por informações", comenta. Basta frequentar uma vez um desses pontos de encontros para ver que debaixo das fantasias existem pessoas normais do dia a dia que apenas trazem sua imaginação e criatividade para dar um toque de charme a esse hobby, dar vida aos desenhos. Maurício Somenzari foi Campeão Mundial de Cosplay em 2006 e o primeiro brasileiro a ser chamado para atuar como palestrante no exterior. "Gosto muito do palco e de todo aquele ambiente, antes de me apresentar, gosto de preparar tudo. Monto a trilha sonora, efeitos especiais, ensaio, costuro meus próprios trajes além de fazer meus acessórios todos; asas, armaduras, jóias, perucas, espadas. Tudo é feito em casa, com a ajuda do meu pai e irmã", comenta Maurício.

A Origem

Forrest J. Ackerman, e sua amiga Myrtle R. Douglas podem ser considerados os "criadores" do Cosplay. Em 1939 durante a primeira Convenção de Ciência Fictícia do Mundo (World Science Fiction Convention), ou Worldcon, realizada em Nova Iorque, os dois chamaram a atenção de aproximadamente 184 pessoas presentes no evento. Vestido com um rústico traje de piloto espacial, Forrest J. Ackerman, e Myrtle R. Douglas, com um vestido inspirado no romance clássico de H.G. Wells "The Shape of Things to Come" a dupla deixou os resto das pessoas extasiadas e admiradas. O resultado não poderia ser outro, no ano seguinte dezenas de pessoas compareceram ao evento trajados com fantasias ligadas ao mundo da ciência.

O "sucesso" era tanto, que no mesmo ano foi criado o masquerade, um tipo de concursos que permitia aos participantes realizar apresentações criativas para entreter o público, todos fantasiados, é claro. Foi assim, em um desses eventos, que o japonês Nobuyuki Takahashi em 1984 participou da convenção da Worldcon daquele ano e ficou impressionado com toda aquela "bagunça", levando essa nova prática ao seu país. Foi assim que o Japão começou a entrar nessa onda de cosplay, as convenções na terra do sol nascente, contavam com dezenas de fãs fantasiados caracterizados como personagens de animês e mangás, passando a se tornar um verdadeiro fenômeno no país. O sucesso foi tão grande que começaram a surgir lojas, diversas publicações e até profissionais especializados na prática, criando no Japão uma verdadeira indústria de cosplay. A explosão do animê aconteceu na década de 90, e voltou a ganhar força nos Estados Unidos, mas, de uma forma muito mais intensa. O termo foi rapidamente popularizado através de inúmeras convenções que apareciam no país. Com essa "nova" mania reintroduzida nos Estados Unidos, o número de praticantes também passou a ser maior.

A prática do cosplay é bem parecida nos dois país, porém não há como haver completa semelhança entre dois países de culturas diferentes. No Japão, as pessoas baseiam-se nos personagens de televisão, não necessariamente de mangás ou animês, mas em um plano geral, não costumam fazer suas próprias fantasias nem criá-las, procuram ser os mais fieis possíveis aos seu personagem. Os japoneses costumam se reunir em grupos durante as convenções para tirar fotos. Existem competições também, mas de uma forma diferente da realizada nos Estados Unidos. Os norte-americanos continuam seguindo as tradições das primeiras convenções da Worldcon e produzem suas próprias fantasias, criando e inventando algo diferente para apresentar para os demais, abrangem um público de cosplayers que não se limita a sexo ou idade, nas convenções norte-americanas é possível encontrar homens e mulheres de idades variadas.

 
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No Brasil, uma mistura Nippo-Americana

O cosplay no Brasil, obteve uma aceitação muito positiva, principalmente pelo grande número de nikkeis residentes no país. A febre dos mangás e animês apareceu como uma grande explosão da indústria televisiva que começava a testar um novo gênero de desenhos animados, a era "Cavaleiros do Zoodiaco", " Yu-Yu Hakusho", " DragonBall" entre muitos outros, ajudaram e influenciaram a introduzir essa nova cultura japonesa no Brasil. Os games também viraram mania nacional principalmente com Ash e seu famoso bichinho Pikachu que era frequentemente visto na mão das crianças que não largavam seu Game Boy.

A primeira convenção de animê no país aconteceu por volta de 1996, a Mangacon, realizada em São Paulo pela ABRADEMI - Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações. O evento é considerado para muitos o marco inicial da difusão do cosplay no Brasil, fazendo com que a prática se espalhasse rapidamente por todo o país.

Como tudo ganha um toque diferente na terra do samba, o cosplay no Brasil, importou o que existe de mais interessante nas duas culturas pioneiras da prática, adaptaram o masquerade utilizado nos Estados Unidos e as caracterizações dos personagens de amines e mangás do Japão. Formando o tradicional concurso de cosplay das convenções de animês brasileiras. É claro que existem àqueles que procuram fazer suas próprias fantasias e inventar algo diferente. Hoje no Brasil, é possível encontrar lojinhas no Bairro da Liberdade, em São Paulo, que fazem as fantasia dos personagens.

 

Eventos

Muito mais que um simples campeonato de cosplay, os eventos trazem durante os vários dias de realização, uma programação diversificada e interessante. Além das apresentação de palco feita pelos cosplayers que buscam uma vaga nos mais diversos torneios existentes, grande parte dos eventos contam também com um espaço exclusivo destinado à prática do paintball, do arco e flecha, entre outros. Normalmente algumas bandas também são convidadas à se apresentarem e tem o privilégio de tocar e levantar o público presente. Para aqueles que não tem noção da dimensão do que é um evento de cosplay, basta imaginar uma daquelas festas de micaretas e raves que reúnem milhares de pessoas, o Anime Friends de 2008, por exemplo, em oito dias chegou a reunir aproximadamente 120 mil pessoas, atingindo no último dia cerca de 25% do público total, uma verdadeira multidão. Marca registrada e frequente na mão de diversas pessoas que transitam pelas dependências do local, as famosas "plaquinhas" já viraram mania entre os fãs, com frases criativas e muitas vezes engraçadas essa é mais uma atração a parte que deixa o evento ainda mais interessante. Pela primeira vez dentro desse "mundo diferente", Grace França Lo Man Hung foi contratada exclusivamente para participar do Ressaca Friends 2008. "Faço eventos em geral, mas esse é o primeiro que faço de cosplay", quando perguntada sobre se faria cosplay, a resposta foi simples, "Já estou fazendo, aqui minha fantasia é a mais normal [risos]", comenta a estudante que vestia a fantasia da Trixie, namorada do piloto dos desenhos animados Speed Racer. Outro personagem, o Batmam, caracterizado pelo psicólogo Alessandro Cosentino também estava lá à trabalho e deu a sua opinião sobre o hobby. "É um lugar muito engraçado, já fiz diversos eventos, mas esse realmente me surpreendeu, da para perceber que tem muita gente que gosta mesmo disso e se esforça para ficar parecido, deve dar muito trabalho", complementa. Os dois personagens faziam parte da tenda "Clube de Heróis" motada no Ressaca Friends 2008.

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Os campeonatos são diversos, a Editora JBC, é quem organiza o WCS Brasil, campeonato que reúne 15 duplas de todo o país que competem em busca da melhor caracterização. A melhor dupla representa o país na final mundial que é realizada no Japão. O Brasil já consegui vencer os eventos no Japão em 2006 com irmãos Maurício Somenzari e Mônica Somenzari e neste ano, com Gabriel Niemietz e Jéssica Campos que também foram campeões na etapa brasileira e mundial. Para Maurício, a conquista do título do Campeonato Mundial de Cosplay foi uma das suas maiores emoções como cosplayer. "Foi uma emoção inigualável, representamos nosso país e conseguimos levá-lo ao primeiro lugar no pódio", completa. O Animê Friends, maior evento de animê do Brasil, conta com aproximadamente 1.200 pessoas inscritas, a organização é feita pela Yamato Comunicações e Eventos que também realiza o Yamato Cosplay Cup Nacional, o único evento que agrega competidores de todas as regiões do país e o Yamato Cosplay Cup Internacional, que conta com a participação de países como Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Estados Unidos, Portugal, México, Paraguai, Peru, Venezuela e Uruguai. Além desses campeonatos, existem ainda o World Cosplay Subimmit, o Concurso Latino-Americano de Cosplay, o Circuito Cosplay, e o Cosplay Internacional Tour. Nas competições, os jurados observam a atuação, semelhança com o personagem (fantasia), criatividade e imaginação na realização e elaboração de sua apresentação. As competições podem ser individuais (Yamato Cosplay Cup), em duplas (World Cosplay Summit) e em grupos (em média, de 3 a 5 pessoas). As regras diferem de categoria para categoria e de acordo com a empresa que organiza o concurso


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