Vida
de DJ
Um trabalho sem rotina
Texto:
Vanessa Maeji/NJ | Fotos: Divulgação
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DJ
HISATO: Só porque a música é boa não
necessariamente funciona nas festas
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Engana-se
quem pensa que ser DJ é fácil. É ele o responsável
por saber selecionar o som de acordo com o público e local, avaliando
o que poderia ser aceito ou não nas pistas. O DJ Hisato, que toca
desde 2001 e integrante também da banda Hello, Kate!, alerta. Só
porque a música é boa não necessariamente funciona
nas festas.
A pesquisa
musical, a constante atualização de contatos e festas e,
recentemente, o uso da internet são pontos fundamentais para quem
pretende ser DJ. É preciso sair muito também pra sentir
o que está acontecendo porque a cada seis meses, em média,
tudo muda, afirma Hisato
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DJ
TAHIRA: Você
não enjoa.
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Ser DJ ainda
significa ainda abdicar da rotina. Sempre estou em lugares diferentes.
É bem legal essa sensação de estar em clubes e festas
diferentes. Você não enjoa, conta DJ Tahira, com experiência
de mais de dez anos e passagens pela Áustria, Holanda, Alemanha,
entre outros países.
Viajar é
um dos pontos mais atrativos da profissão. Sempre quis, desde
pequena, um trabalho que me permitisse ficar com o pé na estrada.
Tive a sorte de conciliar duas grandes paixões na minha vida: músicas
e viagens, conta Eli Iwasa, residente e sócia do Clube Kraft,
em Campinas, desde 2001 na estrada.
E
o ciúme?
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DJ
ELI: Há muita confiança e respeito entre a gentes
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Mas há
certos contratempos, principalmente em relação a namoros.
Hoje sou solteiro, mas já tive namoradas e não dá
muito certo não. Tem que ser alguém que entenda bastante
que os DJs vivem da noite e são sempre rodeados de pessoas,
afirma Tahira.
Já Eli
vive uma situação diferente: o namorado também é
DJ. Há muita confiança e respeito entre a gente,
afirma. Obviamente, o fato de ele trabalhar na noite torna tudo
mais fácil, confessa.
Para o DJ Dalvo,
que toca desde 1992, há como conciliar profissão e relacionamentos.
Minha namorada já acostumou, pois me conheceu na balada e
entende a profissão, conta.
Reações
Negativas
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DJ
DALVO: Nas baladas nunca tive problemas
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E como os DJs
reagem quando o público pede outras músicas? Os iniciantes
sofrem um pouco com a insegurança de não agradar o público,
mas com o tempo e experiência de pistas, pedidos de músicas
ou reações negativas são encarados com maior naturalidade.
Em eventos sociais, já aconteceu de pedirem outro tipo de
música, diz Dalvo. Já nas baladas é difícil,
pois já conhecem o tipo de som que toco, nunca tive problemas,
relata.
Aqui
no Brasil, [pedir músicas] é algo bem comum, assegurou
Tahira. Ele conta que nunca teve uma reação negativa, mas
viveu uma situação inusitada. Fui tocar em um festival
de verão na Ucrânia e ficaram anunciando toda hora: 'DJ Tahira
do Brasil'. Comecei a discotecar, todo mundo parou e [eles] ficaram se
entreolhando, como [se estivessem] pensando 'cadê o DJ brasileiro?
Tem um japonês nos toca-discos?'. Foi um pouco difícil mas
depois de duas músicas estavam todos dançando um monte e
todos adoraram.
Dá
para se manter?
Viver somente
da profissão é complicado. Somente DJs com agenda
cheia todos os dias sobrevivem exclusivamente da profissão. Ou
os raros DJs superstar, que recebem na casa dos quatro dígitos
e trabalham ao menos duas noites por semana, revela Hisato. É
comum, por exemplo, manter atividades profissionais paralelas. Hisato,
por exemplo, faz outros trabalhos, embora a maioria deles seja ligada
à música.
No começo,
é importante ter outro trabalho para dar respaldo, para poder investir
na carreira, comprar discos, equipamentos. Na hora em que virou loucura,
em que as horas de sono dormidas ficam reduzidas ao mínimo e os
cachês permitiram estabilidade financeira, foi hora de escolher
entre uma profissão e outra conta Eli, que preferiu terminar
a faculdade de Propaganda e Publicidade para ter uma segurança
maior.
| Profissão
cara |
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Além
de exigir dedicação e amor à música,
ser DJ não é muito barato. Hisato conta que com R$
1,5 mil dá para comprar equipamentos mais simples
exceto os toca-discos , suficientes para se treinar em casa.
Melhor gastar R$ 2 mil e comprar equipamento profissional
usado, sugere. Ainda segundo o DJ, comprar do melhor custa
em torno de R$ 8 mil a R$ 10 mil. Só que daqui a uns
seis meses, esse equipamento já não vai ser mais top,
afirma.
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| Primeiros
passos Dicas |
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Estudar práticas de mixagem;
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É essencial pesquisar o que acontece no cenário
da música;
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Sair para conhecer festas, lugares e pessoas e ver o que rola
na noite;
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Verificar os equipamentos e o som da pista ;
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Ser criativo e não repetir viradas, pois
há aquele público que acompanha seu trabalho;
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Saber colocar músicas bacanas ao longo do set. Muitos
novatos tocam todas as músicas legais logo no começo
e depois não sabem o que tocar, aponta Tahira;
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Adequar seu trabalho ao público. É preciso
se perguntar se você quer tocar para um grupo de 10 pessoas
ou para 5 mil. Eu, no caso, prefiro tocar para entre 100 e 300 pessoas
de gosto bastante exigente, conta Hisato;
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Há escolas de Djs, em que os próprios profissionais
ensinam técnicas básicas da discotecagem;
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Valorizar seu trabalho. Um dos erros mais comuns para
um novato é não se valorizar e praticar o famoso 'tapetão',
tocar por cachês baixos, fazendo com que o DJ seja desvalorizado,
afirma Dalvo.
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