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Os efeitos da lei seca nas baladas orientais

Organizadores revelam as principais mudanças em suas festas

(Texto: Vanessa Maeji/NJ | Fotos: Divulgação)


Algumas baladas sentiram a queda do público após a lei seca

Os efeitos da lei seca, em vigor desde o último dia 20 de junho, começam a atingir também as baladas orientais de São Paulo. É o que afirmam alguns organizadores das diversas festas que ocorrem todos os meses. Eduardo Hioki, da Infinity, confirma que houve uma redução de 20% – no público e consumo de bebidas – logo após a primeira semana da lei aprovada. Já o DJ Jorge, da equipe Live e DNA Party, conta que a média de público antes da lei seca era em torno de 600 a 700 pessoas. "Depois, caiu gradativamente a média de público de 400 a 500 pessoas", conta. Somente Tomas Yamamoto, da tradicional balada Mortos Vivos, afirmou que ainda não percebeu essa queda.

A queda de venda de álcool significa, para Jorge, que os baladeiros nikkeis são conscientes, responsáveis e cumprem a lei. "E olha que os orientais em geral são grandes consumidores", afirma. Segundo Hioki, o aumento no consumo de bebidas não-alcoólicas não compensa a diminuição de álcool. "Um cara que bebia cinco cervejas na balada não vai passar a consumir cinco latinhas de refrigerante. Proporcionalmente, o consumo é menor", diz. A preocupação não é apenas econômica. "Estamos, aos poucos, tentando conscientizar os jovens a não dirigir após beber", enfatiza Emerson Shunji Morikawa, da Friendz e Be Happy. "Estamos passando mensagens no telão e, de agora em diante, mandaremos mensagens junto com nossas propragandas". Entre os organizadores, há aqueles que concordam com a lei e outros que refutam a severidade da lei. "É uma medida muito drástica, considerando os limites de teor alcoólico estabelecidos", declara Emilio Chen, da equipe Naruwa.

As baladas orientais já enfrentavam um esvaziamento das pistas – o que ficou mais evidente ainda com a lei seca. Jorge explica que os nikkeis começaram a tomar gosto pelas baladas "ocidentais". Atualmente, a falta de público é um dos principais problemas de algumas baladas. "Antigamente, chegava a ter até cinco baladas no mesmo dia. Hoje, se você tem duas na mesma noite, é muito", lamenta Eduardo Hioki.

Algumas casas de São Paulo oferecem regalias para estimular os freqüentadores, como serviço de motorista, descontos em táxi ou produtos da casa e estacionamento gratuito até a manhã seguinte. Por enquanto, nenhuma das baladas japonesas oferecem esse serviço. Mas há iniciativas dos próprios clientes. "Surgiu na Mortos um cliente que, por conta própria, resolveu organizar a saída de ônibus do metrô Santa Cruz até a balada", conta Hioki. "Ainda estamos na fase de estudos e assimilando as conseqüências com essa mudança radical", conclui o DJ Jorge.

Mais caronas

As alternativas mais buscadas para evitar punições são organizar um sistema de carona, esperar pelo transporte público ou gastar em táxis. "As pessoas estão revezando e procurando mais caronas em vez de ir dois ou três num carro só. A pessoa que veio dirigindo não bebe, enquanto as outras que vieram de carona bebem normalmente", conta o estudante Bruno Ikejiri.

A engenheira Christiane, que preferiu não dizer o sobrenome, sentiu uma redução de público após a lei seca. "Acho que está com um público um pouco menor, porque não forma as filas gigantescas de carro [para estacionar] que nem antes".


A lei seca
O que é?
Nova lei sobre consumo de álcool para quem dirige, em vigor desde o dia 20 de junho. A antiga lei permitia a ingestão de até 6 decigramas de álcool por litro de sangue (o equivalente a dois chopes). Agora, quem for pego dirigindo com qualquer concentração de álcool recebe multa e tem o direito de dirigir suspenso por um ano, além de cometer infração gravíssima, com sete pontos em carteira e retenção do veículo. A lei proíbe a venda de bebidas alcoólicas em zonas rurais das rodovias federais e prevê punição também para quem dirige sob efeitos de soníferos, relaxantes musculares e antidepressivos.

Qual a quantidade máxima de bebida que posso ingerir?
A nova lei torna ilegal dirigir com concentração a partir de 2 decigramas de álcool por litro de sangue (ou 0,1 miligrama por litro de ar expelido). Abaixo deste valor, o motorista está liberado.

Quanto tempo depois de ingerir bebida eu posso dirigir?
Uma lata de cerveja, um chope, uma taça de vinho (150 ml) ou uma dose de bebida destilada (50 ml): no mínimo, duas horas depois.

Quais são as punições para quem beber além do permitido?
Entre 0,1 mg e 0,29 mg por litro de ar expelido (dois decigramas de álcool por litro de sangue) - Multa de R$ 955, mais 7 pontos na carteira e suspensão do direito de dirigir por um ano. É possível recorrer no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) para reaver a carteira. A partir de 0,3 mg em litro de ar expelido (6 decigramas de álcool por litro de sangue) - o motorista responde criminalmente, com detenção do motorista de 6 meses a 3 anos, com direito a fiança.

Como é verificado o índice de álcool?
Através do teste do bafômetro ou por exame de sangue.

O motorista é obrigado a fazer teste do bafômetro?
Não. Segundo a Constituição, ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Porém, caso apresente sinais de embriaguez , o motorista poderá ser penalizado com as sanções previstas de acordo com o artigo 165 do CBT (multa, suspensão do direito de dirigir por 12 meses, apreensão da carteira de habilitação e retenção do veículo). A afirmação é do procurador Bruno Calabrich.



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