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Animês e mangás
O mangá Dragon Ball e o animê Cavaleiros do Zodíaco foram os propulsores no Brasil
Reportagem: Liliane Yoshino/NJ | Fotos: Arquivo pessoal e divulgação


Uma das obras de Akira Toriyama

Animês e mangás são um dos principais produtos de exportação do Japão. No Brasil, eles são um sucesso não só pela comunidade japonesa, mas pela brasileira também. Uma curiosidade é que nem o Brasil e nem os Estados Unidos são os maiores consumistas de histórias em quadrinhos japoneses. Na palestra do evento Mestres do Animê no CCBB, a professora especializada em mangás, Sonia M. Bibe Luyten, mostrou dados relevantes. A França ganha disparada com o consumo de 87 milhões de euros, a Alemanha de 50 a 60 milhões de euros e os Estados Unidos consome 110 milhões de dólares em mangás e animês.

O consumo de mangás no Brasil começou  na década de 80, quando o Japão não tinha um departamento internacional de exportação específico. O primeiro mangá lançado no Brasil foi Lobo Solitário, porém as publicações que fizeram sucesso foram Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, da editora Conrad.


Professora Sonia Luyten foi a pioneira nos estudos de mangás e animês

A professora Sonia conta que conceitos como respeito aos mais velhos e solidariedade são os diferenciais da histórias japonesas. No livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa, Alexandre Nagado defende técnicas como as imagens cinematográficas, a narrativa e os diálogos mais diretos. “Trata-se da narrativa, aquilo que liga um quadrinho ao outro e dá ao leitor o entendimento da história no ritmo e no tempo pretendido pelo autor. É algo que somente quem se preocupa em contar uma história e não em exibir ilustrações percebe e sabe usar”.


Animês


Cavaleiros do Zodíaco foi transmitido pela TV Manchete e foi febre no Brasil

Os animês são os desenhos animados do Japão, que possuem influência direta dos Estados Unidos, depois da invasão dos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Para Nagado, Cavaleiros do Zodíaco foi o animê que mais se destacou. “Foi essa série que permitiu a entrada de muitas outras, fez com que animês fossem conhecidos fora do meio dos fãs hardcore e ainda permitiu a aparição da imprensa especializada. Mas, décadas antes, Speed Racer ganhou o mundo e virou ícone pop sem que a maioria das pessoas desse conta de que era uma animação japonesa”, conta.

Depois, seriados como Shurato, Dragon Ball, Street Fighter, Sailor Moon, Pokémon, entre outros, fizeram parte da grade de programação de muitas emissoras. A professora Sonia ressalta que é muito importante verificar o horário que passa os desenhos. "As pessoas têm a mentalidade que o desenho é coisa de criança. Muitas vezes, os desenhos animados passam em horários infantis, uma faixa etária que não está capacitada para assimilar alguns conteúdos".


Após a explosão dos Cavaleiros do Zodíaco, Nagado ganhou destaque na imprensa especializada

Ela afirma que nas televisões japonesas os desenhos passam em horários específicos. "Aqui, as pessoas estão mais preocupadas com o ibope do que com o próprio receptor", explica.

Alexandre Nagado, 36 anos, é ilustrador, caricaturista e professor de desenho. Escreveu para as revistas Herói e Henshin e especiais para o Nippo-Jovem. Saiba mais sobre a concepção do livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa.


Nippo-Jovem: Como surgiu a idéia de publicar um livro?
Alexandre Nagado: Era uma idéia meio antiga. Uma forma de organizar e mostrar ao público parte da minha carreira. Foi um pouco de nostalgia também, pois o começo da imprensa especializada em desenhos japoneses foi marcante para mim.
NJ: Os fãs de desenhos japoneses sempre dão sugestões?
Nagado: Centenas de pessoas já entraram em contato comigo por conta do meu trabalho. Alguns são leitores antigos, como um cara que estava recomprando exemplares da revista Herói em sebos, para que seu filho lesse. E ele também contou que era meu leitor atual, graças ao Omelete. Caramba, duas gerações de leitores! Isso me faz sentir um pouco velho. Muitos aspirantes a desenhista também entram em contato em busca de avaliação, dicas ou orientações profissionais, pois tenho algum tempo de prancheta como desenhista profissional, mesmo que não seja de mangá. Desenhista, aliás, é minha profissão de fato. Escrever é uma atividade paralela, apesar de ser a mais conhecida pelo grande público.
NJ: Qual o seriado que mais gostava?
Nagado: Os meus favoritos eram o Ultraman e Ultra Seven. Na verdade, favorito mesmo era o segundo Ultraman, que entre os fãs é conhecido como O Regresso de Ultraman. Aqui no Brasil, tanto esse como o Ultraman original passavam com o mesmo título, como se fossem uma série só, mas não eram. Isso entre os seriados live-action. De animê, o favorito de todos os tempos foi Patrulha Estelar. Mas quando criança, gostava mais de Speed Racer, A Princesa e o Cavaleiro, Sawamu e O Menino Biônico.

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