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Especial NippoJovem

The Checkers – Beatlemania oriental
Até hoje, 15 anos depois, a banda é relembrada e cultuada, com diversas coletâneas que foram lançadas após a separação

Reportagem: *Alexandre Nagado/Especial para o Nippo-Jovem | Imagens: Divulgação

No início da década de 1980, o cenário musical japonês sofreu uma revolução com o aparecimento de um septeto que causou um impacto até então sem precedentes. Invadindo as rádios e programas de TV, a banda The Checkers trazia os talentos de Fumiya Fujii (voz e vocais), Masaharu Tsuruku (voz e vocais), Yoshihiko “Moku” Takamoku (voz e vocais), Tohru Takeuchi (guitarra e vocais), Yuji Ohdoi (baixo e vocais), Yoshiya “Kurobe” Tokunaga (bateria e vocais) e Naoyuki Fujii (sax, flauta, voz e vocais), irmão de Fumiya.


Coletânea com os primeiros singles
do The Checkers

Os Checkers estrearam com Giza-giza heart no komori uta, a primeira de muitas canções ingênuas e otimistas inspiradas nos Beatles, na surf music dos Beach Boys e em outros clássicos do rock. Os garotos usavam roupas espalhafatosas e tinham jeito de boys band, mas tocavam e cantavam com extrema competência. Os sete rapazes viraram febre entre o público adolescente, gerando uma beatlemania moderna no Japão, com fãs histéricas a cada apresentação.


Da esq. para a dir.: Takamoku, Tsuruku, Tohru, Fumiya, Nao, Tokunaga e Yuji


Uma época de ouro para o J-POP

Com grande carisma e apelo junto ao público, todos eles participaram do programa de humor da então popular dupla Tonnels, estrelaram o filme dramático Song For USA (cuja música-tema é um dos clássicos da banda) e se tornaram verdadeiras celebridades.

Fumiya, além da voz poderosa, dançava, tocava violão e gaita nos shows e animava o público, se mostrando um líder indiscutível. O sorridente Tokunaga saía da bateria e dançava, fazia graça e se mostrava o coração da equipe. Os outros dois cantores da banda, como tinham menos espaço que Fumiya e agiam mais como dançarinos e backing vocals, acabaram se mostrando instrumentistas também. Tsuruku tocava teclados ocasionalmente e foi o segundo vocalista, emplacando alguns sucessos também como compositor. O bigodudo Takamoku, de voz absurdamente grave (característica explorada em trechos de várias canções), tocava percussão eletrônica nos shows. Moku e Tsuruku também tocavam pandeiros e percussões variadas, enriquecendo ainda mais o som do grupo. Naoyuki, o saxofonista, eventualmente cantava solo e tocava guitarra, como se fosse pouco tocar qualquer instrumento de sopro, como saxofones variados, flauta e clarinete. A combinação de seus talentos e personalidades empolgou multidões, que lotavam shows em grandes auditórios e até estádios.


O septeto surgiu em 1981

O impulso inicial foi da gravadora Pony Canyon, com uma equipe de compositores e arranjadores contratados assinando sucessivos hits para a banda, como Namida no request, Julia ni heartbreak e Kamisama help!. Mas aos poucos, as composições próprias foram ficando mais regulares e melhores. Logo eles atingiram grande maturidade sonora, incorporando elementos de jazz, funk e praticamente qualquer estilo que chamasse a atenção de algum dos integrantes. O grupo passou a assinar a maioria das melodias (especialmente Tohru, Yuji, Naoyuki e Tsuruku), com Fumiya escrevendo quase todas as letras. A banda também passou a criar todos os arranjos, dividindo o trabalho com os músicos de apoio Kanpei Yagihashi (percussão) e Andy Hiyama (teclados). Na década de 80, eles reinaram absolutos.

Já nos anos 1990, a fase de moda passou, mas eles continuaram com um público fiel e um som mais maduro e autoral. Na fase final da banda, apareceram outras grandes canções, como Sunaoni I´m sorry, Room, Blue Moon Stone, Cherie e o derradeiro single Present for you. Com divergências internas e projetos pessoais incompatíveis, a banda se dissolveu de forma definitiva em 1992. Para se despedir do público, eles ainda participaram do tradicional festival de fim de ano da emissora NHK, o Kouhaku Utagasen, com um medley de suas canções mais famosas. Depois disso, cada um seguiu seu caminho.


Caminhos Separados

Na época da separação, os três vocalistas já tinham carreiras-solo paralelas, com evidente destaque para Fumiya. Ele seguiu uma trilha de sucesso e ainda montou um projeto paralelo com o irmão, criando a dupla F-Blood. Versátil, Fumiya também continuou trabalhando como ator e até ilustrador digital, mas sem deixar de ser um compositor e intérprete cada vez melhor, emplacado vários sucessos, como True love, Another orion e a versão em japonês de Go the distance, tema do desenho Hercules, da Disney. Em junho deste ano, lançou seu mais recente trabalho, o álbum Order made.


Fumiya, em foto do álbum Seven Heaven (1990)

O baterista Tokunaga morreu de câncer em 2004, época em que tocava com a banda Wild-G. Os demais ex-Checkers compareceram ao funeral, mas Fumiya ficou meio isolado, o que confirmou boatos de que a separação não foi das mais amigáveis. Naoyuki, além de acompanhar o irmão como músico convidado ou dividir com ele o palco como F-Blood, lançou material solo instrumental de grande qualidade.

Masaharu Tsuruku desenvolve uma carreira solo modesta. Além de alguns álbuns com músicas inéditas e releituras de sucessos dos Checkers, participou, em 2004, do projeto The Ukulele Beatles, em que músicas dos Beatles ganharam versões tocadas em ukulele, instrumento semelhante a um cavaquinho. Em abril de 2007, Tsuruku lançou seu mais recente trabalho solo, o álbum Ameagari no Kaze. Yoshihiko Takamoku, o outro vocalista, também lançou alguns álbuns e singles, mas dedicou-se mais à carreira de ator, conseguindo trabalhar em várias produções. Ele também escreveu uma biografia polêmica sobre a banda e distanciou bastante sua imagem daquele tempo. Mas até hoje, 15 anos depois, a banda é relembrada e cultuada, com diversas coletâneas que foram lançadas após a separação.

Os Checkers, ao lado de nomes como Seiko Matsuda, Anzen Chitai, Chage & Aska, Pink Lady, Hikaru Genji, Hideki Saijo e tantos outros, ajudaram a definir a música jovem do Japão. Com eles, a década de 1980, que tanto marcou o pop ocidental, foi também no Japão uma época musicalmente rica e, acima de tudo, muito divertida.





*Alexandre Nagado é autor do livro Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Ed. Via Lettera), além de desenhista e redator. Site pessoal: www.nagado.com
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