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Homossexualidade
Saiba lidar com a sua própria sexualidade

Texto: Kelly Nagaoka/NJ | Fotos: Divulgação

"Descobri há dez anos a homossexualidade. Na época, sentia coisas pelas amigas que não entendia, até saber que ela existia no mundo. A família – que já desconfiava – não se opôs em relação a minha opção, como também não me apoiou. Namorei homens, mas com nenhum senti o que sinto com uma mulher. Por isso, casar e ter filhos, só se for com mulher. E, se não conseguir engravidar, adotaria numa boa. Colegas, 'saiam do armário'. Nesse mundo não temos que ter medo de nada, mesmo porque a vida fica muito mais feliz quando assumimos o que somos, porque não é o fato de assumir ou não que você vai deixar de ser o que é."
Depoimento da nikkei M., de 26 anos.

Sabemos que os homossexuais enfrentam muitas batalhas no seu dia-a-dia. Com a nikkei M. não é diferente. Para saber mais sobre o assunto, o Nippo-Jovem selecionou algumas das principais dicas das psicólogas Maria Lucia Camões da Costa e Maria Ioko Otani, publicadas na seção Cá entre Nós. Confira!

Abuso sexual
Ser vítima de abuso sexual na infância deixa muitos traumas. Não é por ter tido experiências homossexuais que alguém irá tornar-se homossexual. O que pode ocorrer é um enorme trauma em relação a contato sexual. Quando falamos em ser vítima desse tipo de violência, não queremos dizer que ela tenha sido necessariamente física, mas sim emocional. Sexo não precisa ser “ensinado”. É algo que vai brotando naturalmente no ser humano conforme ele amadurece. Quando criança ou adolescente, esse processo pode ser apressado por alguém que queira aproveitar de sua inocência. O fato de ter tido prazer na época, com os jogos sexuais, não o torna menos vítima. Qualquer criança manipulada em seus genitais sente prazer e ela não tem culpa disso. Se a pessoa que faz esse tipo de abuso soubesse o quanto mal está causando, talvez conseguisse se conter. Mas, em geral, são pessoas doentes ou psicopatas que só se importam consigo mesmo.

Adolescência
A adolescência é um período muito rico, mas também muito perigoso. Os jovens querem conhecer tudo, mas precisam principalmente conhecer a si mesmos. Na verdade, na adolescência, tudo o que se sente parece que é para sempre. Quando gostamos de alguém, se imagina que esse gostar jamais deixará de existir e que não viveríamos um só dia sem aquela pessoa. Aí o tempo passa e descobre-se que tudo mudou. Ser jovem é assim mesmo. Ter atração por alguém do mesmo sexo não tem nada a haver com ser ou não gay. Aos 14 anos, confundimos gostar, achar bonito, ter carinho, amizade, admiração, com sexo. Aliás, nessa idade tudo se relaciona com sexo. É por isso que todo mundo quer ficar com todo mundo. Há uma vontade “incontrolável” de experimentar tudo. Mas antes de experimentar qualquer coisa, seja lá o que for, inclusive sexo (independente de se com o próprio sexo ou com o oposto), devemos nos perguntar se queremos mesmo fazer isso para depois não nos arrependermos.

Afim ou não?
Para se saber se alguém gosta ou não da gente, só existe um modo: perguntar! Mas antes é preciso saber se vocês gostam um da outro da mesma forma. Se não for assim, poderão surgir os problemas. Conviver com a possibilidade do outro gostar da gente de outra forma implica em aceitação da pessoa como ela é. Para vocês poderem compartilhar o gostar, é preciso do respeito pelo outro e ao mesmo tempo descobrir uma forma de convívio que satisfaça ambos. Tudo isso só acontece com muita conversa. Aproxime-se e procure conhecer seus interesses, necessidades e não apenas a sua opção sexual. Não entre diretamente nesse assunto. Ninguém gosta de expor sua intimidade logo no início de um relacionamento. Comece sendo amigo. Depois deixe as coisas acontecerem e fique atento. Se nem assim você conseguir saber qual a forma do gostar, só restará mesmo perguntar diretamente.

Amor

Em vez de pensar em que forma de sexo lhe dá mais prazer, tente pensar com quem é realmente importante e bom transar. Procure conhecer a pessoa, desenvolva intimidade e relacione-se antes de transar. Você precisa descobrir o amor. Ele irá dar sentido e emoção ao sexo. Só depois disso você poderá saber com que gênero de pessoa você quer transar ou não.


Brincadeira

Você não é homossexual só por ter brincado sexualmente com uma pessoa do mesmo sexo. Homossexualidade é uma opção feita pela pessoa. Nenhuma garota resiste a um rapaz que a trata com delicadeza e atenção. Tome coragem e vá em frente e tire essas “minhocas” da sua cabeça. Não tenha medo de ser feliz!


Dificuldade inicial

Alguns, ao enfrentarem qualquer pequena dificuldade no início da vida amorosa, já acham que são gays. Ser homossexual é algo bem diferente: é escolher ter sua vida sexual com alguém do mesmo sexo. Ter um pouco de medo de sua iniciação sexual é absolutamente normal. Não acredite nessa história de macho que é macho vai com todas as fêmeas. Afinal, não somos bichos!


Dúvida

Ter certa atração por pessoas do mesmo sexo é mais comum do que se pensa. Na adolescência, a sexualidade está à flor da pele e basta uma pequena estimulação para ficar excitado. Para se assumir como homossexual, não basta isso! É preciso ter certeza de que prefere definitivamente manter relações sexuais com alguém do mesmo sexo. Esta idéia o atrai? Toda a iniciação sexual é bastante difícil! Por isso, sempre batemos na mesma tecla: para ser feliz sexualmente, é preciso iniciar-se a vida sexual com alguém de quem realmente se goste e que seja muito especial. Além disso, é importante lembrar que para tudo tem sua hora certa. Os jovens, na maioria das vezes, são precipitados e acabam tendo experiências profundamente desagradáveis. Você primeiro precisa conhecer-se para definir sua identidade sexual. Já não ser mais virgem parece muito atraente, mas se você não tem certeza se vai preferir que isso aconteça com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto, é melhor esperar tanto para ter relações sexuais como para conversar com a família.


Escolha

A vida é feita de escolhas. Hoje em dia, com a queda dos preconceitos, temos a oportunidade de experimentar sem culpa várias modalidades de sexo. Porém, em algum momento, temos que fazer uma escolha mais definitiva. Se está indeciso e tem prazer sexual com ambos os sexos, precisará decidir o que quer para o seu futuro. Se você se restringir a ter sexo com homens, poderá sim ir deixando de sentir atração por mulheres e irá criar vínculos amorosos com pessoas do mesmo sexo. Então, está chegando a hora de fazer a tal opção sexual tão falada. Procure imaginar-se daqui a 10 anos. Você preferiria ter uma vida em comum com uma mulher ou com um homem? O que o faria mais feliz e realizado? Você também pode escolher ter relacionamentos com ambos os sexos e ficar sozinho. Tudo depende de suas decisões. Parece fácil, mas não é. Qualquer escolha implica em renúncia. Se decidir ter um companheiro(a), irá renúnciar a ter uma família tradicional (pai, mãe e filhos) e ao prazer de partilhar sua vida e o sexo com alguém semelhante a você. Essa escolha é muito difícil: é o preço de tanta liberdade sexual. Tenha paciência e espere seu corpo e sua mente amadurecerem antes de fazer opções definitivas.


Pais e filhos

Os adolescentes começam primeiro ficando e só depois é que irão pensar no que sentem. Temos procurado esclarecer que muitos ainda não desenvolveram sua identidade. Podem saber muito de computação, de matemática, ciência, mas quase nada de vida. Eles interagem muito num mundo virtual onde tudo é possível. Nós acreditamos que tudo isso está levando com que eles descubram quem realmente são muito mais tarde. Os adolescentes são muito influenciáveis e o grupo muitas vezes os leva a fazer coisas que realmente não gostam, apenas para ser aceito pelos demais. A melhor forma de enfrentar esses problemas é estar muito perto dos filhos e procurar transmitir a eles as conseqüências possíveis de suas atitudes, ajudando-os a fazer opções conscientes. Valorizem junto a seus filhos a importância do amor no sexo. Mostrem que sexo sem amor é apenas prazer que pode provocar um enorme vazio posteriormente. Acredite na educação que vocês deram a eles nos primeiros anos de vida e confiem neles.


Primeira vez

Sexo não é apenas um ato físico, mas uma troca entre dois seres de prazer, carinho e amor. Não jogue fora sua primeira experiência sexual. Procure tê-la com alguém que você realmente goste e que também goste de você. Com certeza, dessa forma, essa primeira vez ficará para sempre em sua vida como algo positivo e satisfatório. Pense nisso e aproveite bem essa oportunidade, pois só se perde a virgindade uma única vez.


Saindo do armário

O medo de não ser aceito e amado é uma das dores maiores do ser humano. Usos e costumes podem ser diferir de pessoa para pessoa, de país para país, mas daí a serem motivo de preconceito, é ir muito longe! Experimentamos formiga frita e gostamos. Será que nossos pacientes vão abandonar a terapia se souberem disso? Claro que não! Eles estão preocupados com a nossa formação profissional, em como são atendidos, etc. Se sua escolha sexual é diferente de seus amigos, eles terão que entender e, se não entenderem, não são amigos de verdade. Você precisa se conhecer antes de se preocupar com os outros. Saber o que quer, do que gosta na cama e fora dela. Definir sua identidade, e então, sem essa angústia e esse medo, comunicar ao mundo. Talvez você nem tenha tido ainda experiências sexuais, pois com todo o medo seria muito difícil que sexo fosse algo bom para você. Coragem, primeiro conheça-se, depois se aceite, e só então se preocupe com os outros.

 
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