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Além de psiquiatra e autor de diversos
livros sobre jovens, Içami Tiba é
colunista do "Jornal da Tarde" no Caderno de Educação
e apresentador do programa semanal
"Quem Ama, Educa!", da Rede Vida de Televisão.
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"Os
jovens deveriam levar a vida mais a sério. Divertir-se sempre,
mas ser responsável pela sua própria vida."
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Dados
Nome completo: Içami Tiba
Data de nascimento: 15/03/1941
Local de nascimento: Tapiraí (SP)
Onde mora: Cotia (SP)
Profissão: Psiquiatra
Curiosidades
Mania: Tenho livros começados em quase em todos lugares:
banheiro, sala, televisão. É uma forma de ler vários
livros ao mesmo tempo e todos livros que eu gosto. Não são
romances, são muitas atualizações, são livros
que falam do mundo moderno, dessa globalização e algumas
prospecções que eu faço
Coleção: Crio carpas. Na minha casa tenho um tanque
de carpas num jardim japonês. Quando eu posso, estou lá.
É também uma diversão para os netos
Adora: Adoro fazer palestras, atender pacientes, viver na família,
me divertir. Tenho uma coisa muito light de levar a vida. Não faço
as coisas que não gosto, como o que gosto e vou levando a vida
Odeia: Mentira e falsidade. Com essas coisas eu fico maluco
Superstição: Eu tenho: quem trabalha ganha
Comida: Gosto de picadinho, arroz com carne, cenoura e batata
Medo: Não tenho
Característica: Durmo pouco, umas 4h e meia. Mas durmo de
meia hora a uma hora durante o dia
Curiosidade: Venho cedinho no consultório. Paro às
11h, 11h e pouco. Almoço e descanso. Às duas horas, eu retomo
o dia como se estivesse vivendo outro dia
Atriz: Angelina Jolie. Acho-a uma grande mulher. Além de
bonita, leva grandes projetos sociais. Todo mundo podia fazer um pouco
do que ela faz. Não precisa ser tão bonita assim, lógico
Ator: Jack Nicholson. Gosto mais por causa do filmes em que ele
aparece.
Qualidade: Ser ético
Defeito: Não ter vida social como gostaria
Música: "O Fantasma da Ópera" e "The
Beatles"
Filme: "Dr. Jivago" e "O Último Samurai"
Livro: "O Velho e o Mar", de Ernest Hemingway
Esporte: Judô
Viagem: Com a família para o Japão
Frase: "Quanto mais cresce o bambu, mais ele se verga ao chão"
Içami por Içami: Estou sempre clicando o "atualizar"
Lugar: Qualquer um, desde que com minha mulher e família
Em que acredita: No ser humano
Exemplo: Profissionais que transcendem a profissão
Ídolo: Ayrton Senna e o Dalai-Lama
Sonho em realização: Levar educação
para famílias que tenham acesso a livros e televisão
Plano: Trabalhar na formação escolar do cidadão
brasileiro
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Nippo-Jovem:
Desde pequeno o senhor pensou em seguir a carreira de medicina? Se não,
o que o senhor pretendia ser?
Desde criança queria ser médico. Antes de querer ser médico,
queria ser motorista de caminhão porque meu pai era. Achava que
era a ligação do mundo pequeno de Tapiraí com o mundo
grande, como o de São Paulo. Me encantava. Não pensava em
ir para psiquiatria. Pensava em fazer medicina para ajudar as famílias.
Já tinha um foco de querer ajudar, viajar. Quem me inspirou em
ser médico foi o Dr. Imamura, que era médico em Piedade
(SP) e foi atender nossa família em Tapiraí. Foi aí
que me deu vontade de ser médico. Falei para minha mãe:
"Quero ser médico". Ela falou "Então você
tem que estudar bastante". Desde então estudei bastante e
continuei estudando.
NJ: O senhor
vendeu mais de 2 milhões de livros no mundo inteiro e fez inúmeras
palestras. Como é lidar com essa responsabilidade de ser visto,
ouvido e lido por tanta gente?
É o resultado de um estudo que fiz, que mudou um pouco a visão
do entendimento do jovem, como lidar com ele. Pessoas que estudavam jovens
antigamente usavam livros que não tinham a ver com a nossa cultura
e falavam coisas com que não concordava na época. Esse meu
interesse pela juventude veio primeiro porque achava legal ser jovem.
Depois, achava que as pessoas não entendiam de juventude. Falavam
coisas que eu não era, que não batiam com o que tive na
juventude. Falei: "Opa, alguma coisa está errada". A
partir daí, comecei a correr atrás, a estudar e bolei essa
teoria do desenvolvimento do adolescente. As escolas começaram
a me chamar para fazer palestras e parti para o ramo da educação.
Os pais começaram a pedir livros. É algo que me deixa muito
satisfeito e de muita responsabilidade.
NJ: Existe
algum momento que gostaria de esquecer?
Não, agradeço por todos eles, até um ano que passei
quando criança hoje vejo que foi bom. Aos 12 anos, estava morando
com meus pais em Tapiraí e vim para a casa dos meus tios em São
Paulo estudar no primeiro ano do ginásio. Gostava de estudar, mas
não tinha tempo na casa da tia pois ela me colocava para trabalhar,
fazer coisas na casa. Falava que queria estudar e falavam: "Você
estuda à noite". Sabe essa série das irmãs que
se separaram na infância [Haru e Natsu, apresentada pela TV Band
no começo de 2008], que interceptou as cartas e ficou com todo
o dinheiro? Eu tinha essa tia. Ela comia a comida que minha mãe
mandava, e eu nem sabia que minha mãe estava mandando. Imagina
para mim, um rapaz de 12 anos, sozinho em São Paulo, a mãe
com saudades mandando comida gostosa, que eu gostava, e não chegava
a mim. Essa é uma coisa que não precisava ter acontecido.
Quase parei de estudar, mas superei.
NJ: O que
falta no jovem hoje? E o que ele tem agora que os jovens de antigamente
não tinham?
Falta responsabilidade, sensação de compromisso naquilo
que ele faz. Acho que isso é uma deformação na educação.
Os pais querem dar tudo pronto para seus filhos. Eles, em vez de desenvolver
suas competências, querem ser herdeiros. Querer ser herdeiro é
gastar o que ganha e não construir sua própria vida. Hoje
os jovens têm liberdade excessiva, muitas opções.
NJ: Que
recado daria aos jovens?
Os jovens deveriam levar a vida mais a sério. Divertir-se sempre,
mas ser responsável pela sua própria vida.
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